quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Opinião #15: A papisa Joana, Donna Woolfolk Cross


Editora: Editorial Presença 
Ano publicação:2000
Nº páginas:  458 páginas
Pontuação atribuída: 5 estrelas no Goodreads

Classificado dentro do género romance histórico, este livro narra a história de Joana de Ingelheim, uma mulher que entra dentro do mundo do clero e que, segundo a autora, chega a ser eleita papa. 
Denota-se que teve por base uma pesquisa exaustiva por parte da autora a qual se baseou em muitos factos verídicos e algumas incongruências cronológicas que a igreja católica supostamente foi engendrando. Pelo meio surge a ficção claro está mas, não obstante, esta não deixa de ser uma obra de grande qualidade. Cheguei a ela por meio de vídeos de recomendação de romances históricos particularmente pela opinião da Claúdia do canal e blog A mulher que ama livros e que acabei por encontrá-la na minha biblioteca não tendo resistido a trazê-la comigo. 

Para além do que já referi, o livro enfatiza aspectos relacionados com a diferença entre os sexos. As mulheres como aquelas que tinham que ficar em casa, tratar da lida doméstica e dos filhos e os homens como aqueles que poderiam ter uma profissão e auspiciar algo maior como era considerada a vida eclesiástica. Até mesmo os pais desejavam ter filhos homens que pudessem dar continuidade ao seu legado e nos quais eram depositadas grandes esperanças de futuro. São aspectos impressionantes que não deixam de criar uma certa incredulidade. Pensar que, embora a grande desigualdade que prevalece na sociedade actual, se vivêssemos naqueles tempos, quão pior seria? Quantas coisas que actualmente damos como adquiridas e como direitos veríamos negadas pelo simples facto de termos nascido mulheres?

Surge também o romance entre Joana e um nobre uns anos mais velho. Um amor que se revelará  impossível tendo em conta todas as vicissitudes com que se depara. Não deixa contudo de ser um amor bastante forte e capaz de ultrapassar barreiras mas que infelizmente, não estará destinado a prevalecer. 

É um livro muito muito bom que não posso deixar de recomendar. Mais uma excelente leitura que tive o privilégio de fazer durante este Verão. É um género que não tenho por hábito ler e que não conheço muito bem pelo que desconheço se a autora tem mais algum livro e se a ter, será tão bom ou melhor que este. Vou investigar mas, se souberem, deixem nos comentários. Aconselhem-me também bons autores dentro do género e quiçá alguns títulos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Opinião #14: Um Natal que não esquecemos, Jacquelyn Mitchard


Editora: Editorial Presença 
Ano publicação:2004
Nº páginas:  104 páginas
Pontuação atribuída: 5 estrelas no Goodreads


Mais um livro que nos deixa a pensar na imprevissibilidade da vida e no quão curta ela é. Deixa-nos a pensar em como é importante aproveitar cada momento por mais que saibamos que é uma meta difícil (ou mesmo impossível) de alcançar. Existem sempre conflitos e palavras amargas trocadas mas, quando se trata de pessoas que amamos, o que verdadeiramente importa é aproveitarmos o privilégio que temos em partilhar momentos e felicidade.

É um livro pequeno mas extremamente intenso em que nós é relatado um acontecimento que marca profundamente a história de uma família completamente vulgar. É um livro cuja acção temporal decorre no espaço de poucas horas. Um livro que li de rajada e que me arrebatou completamente. O estilo da autora é cativante e fiquei com imensa vontade de conhecer um dos seus livros mais famosos que mereceu inclusivamente uma adaptação cinematográfica. Refiro-me a Profundo como o mar.  


sábado, 7 de outubro de 2017

Opinião #13: Morreste-me, José Luis Peixoto







Editora: Temas e Debates
Ano publicação:2009
Nº páginas:  64 páginas
Pontuação atribuída: 5 estrelas no Goodreads


Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.


Dei 5 estrelas a este pequeno livro. E o que posso dizer sobre ele? É um livro com o qual me identifiquei muito. Aliás, julgo que qualquer pessoa que já tenha perdido um ente querido se identificará com os sentimentos, com as emoções, com a sensação de vazio e de incredulidade que aqui é relatada. 
Acho o título fabuloso. É como que o apropriar da palavra morte. Deixamos de dizer que a pessoa morreu para se dizer morreste-me. Há como que uma apropriação daquela morte, um vazio que fica no nosso coração por aquela partida. 
O autor conseguiu deixou-me a pensar e, a dados momentos, fez-me sentir um aperto no coração. 
Não quero tornar-me repetitiva até porque ultimamente tenho dito aqui no blog que dado livro deveria ser lido por todos. O certo é que tenho tido a felicidade de, nos últimos tempos, ler livros muito bons. Este é um outro exemplo disso e sim, é um livro que todos deveriam ler. 

 

TBR Maratona Spook-a-Thon 2017

Vou participar mais uma vez nesta maratona literária organizada pela Elsa do canal Ordem d'Avis. Realiza-se de 1 a 31 de Outubro e contempla 6 desafios literários e um 7º desafio que consiste em escolher uma frase macabra de um dos livros lidos para a maratona e publicá-la na página de facebook Tuga-a-Thon.

Segue-se então uma foto da minha TBR extremamente ambiciosa (alguns dos livros escolhidos não estão na foto porque penso lê-los no Kobo) e, posteriormente, vou incluir cada livro numa das 6 categorias criadas pela Elsa. 





1. Lê um livro cuja acção se passe no século XIX ou anterior. 
    Uma fortuna perigosa
    Ken Follett


2. O Halloween era uma crença antiga. Lê um livro sobre crenças, mitos ou religiões. 
    A rainha Ginga
    José Eduardo Agualusa


3. Lê um livro cuja acção se passe num país onde gostarias de festejar o Halloween. (EUA)
    Uma questão de fé
    Jodi Picoult


4. Ler algo insólito. Um livro cuja capa sugira...terror, violência, macabro.
    O dominador
    Tess Gerritsen


5. Junta 6 livros da tua TBR. Dentro de cada um coloca um papel com um número. Deita um dado e o número que sair é o livro que vais ler. 
    O mundo em que vivi
    Ilse Losa


6. Tens um livro que tens medo de ler? Está na hora!
    A hora do vampiro
    Stephen King 



Já tenho em andamento a leitura do livro da Jodi Picoult e estou entusiasmada para as restantes leituras. 
O livro que me calhou na categoria 5 está cá em casa há imenso tempo. Já o tentei começar várias vezes e já o incluí em diversas TBR mas acabo sempre por não o ler. Aqui a sorte fez com que saísse o número que lhe tinha atribuído. Vamos lá ver se é desta!
Em relação ao livro que tenho medo de ler, confesso que foi escrito sobretudo pelo autor. Stephen King é uma referência na literatura de horror. Dele apenas li Carrie e, sinceramente, não me impressionou muito. No entanto, resolvi dar mais uma oportunidade ao autor de que tanta gente gosta e escolhi o segundo livro que publicou, A hora do vampiro (1975).

sábado, 30 de setembro de 2017

Wrap up Maratona Literária de Verão 2017

É o segundo ano consecutivo em que participo nesta maratona organizada pelas meninas do blog Flames e pela menina do blog Agora que sou crítica. Embora no ano transacto me tenha saido bem melhor do que este ano, adorei participar. E, afinal não é isso que conta? Passei um bom bocado e fiz boas leituras as quais venho partilhar convosco. Por baixo do livro está o número de páginas deste e a pontuação que atribui ao mesmo no site Goodreads. Partilho também os títulos dos livros que planeei ler mas que não li.


1. Ler um livro noutra língua.
Turning 30
Mike Gayle

2. Ler um livro de um autor português.
A trança de Inês
Rosa Lobato de Faria

3. Ler um livro que compraste há mais de 1 ano. 
Persuasão
Jane Austen



4. Ler um livro infantil.


173 páginas
5 estrelas



5. Ler um livro publicado em 2017.
Aqui entre nós
Jane Fallon


6. Ler um livro de um autor que nunca leste.

20455543 


317 páginas
3 estrelas


7. Ler um livro recomendado por um youtuber/blogger. 

458 páginas
5 estrelas


8. Ler um livro com um título curto. 

350 páginas
4 estrelas



9.  Ler um graphic novel, BD ou Manga.

15196
159 páginas
4 estrelas



10.  Ler um livro com menos de 100 páginas. 


56 páginas
5 estrelas




11. Ler um livro escrito por mais do que um autor. 
Quando a neve cai
John Green,  Maureen Johnson e Lauren Myracle



12. Ler um livro escrito antes de 1999. 
Uma agulha no palheiro
J. D. Salinger



13. Ler um livro que ganhou algum tipo de prémio. (World Fantasy Award 2003) 



101 páginas
5 estrelas



14. Ler um livro que pediste emprestado. 

104  páginas
5 estrelas



15. Ler um livro do Plano Nacional de Leitura.
O mundo em que vivi
Ilse Losa



16. Ler um livro que se passe num lugar que sempre quiseste visitar. (EUA)



407 páginas
4 estrelas


17. Ler um livro que tinhas planeado ler em 2016 mas que acabaste por não ler. 
Lição de tango
Sveva Casati Modignani


18. Ler um livro em que o título tenha 15 letras.
Trate a vida por tu
Daniel Sá Nogueira 


19. Ler um livro passado num país Europeu. (Portugal)
Os linhos da avó
Rosa Lobato de Faria


20. Ler um livro publicado antes de teres nascido. 

 254 páginas
4 estrelas


21. Ler um livro sobre viagens no tempo.
A mulher do viajante no tempo
Audrey Niffenegger


22. Ler um livro para terminar num dia.
 39 páginas
5 estrelas



23. Ler um calhamaço (>500 páginas).



 
510 páginas
4,5 estrelas



Balanço:
- Li 12 livros
- 2928 páginas lidas
- Atribui:
     - 3 estrelas: 1 livro
     - 4 estrelas: 4 livros
     - 4,5 estrelas: 1 livro
     - 5 estrelas:  6 livros
- 6 autoras/6 autores
- 4 autoras americanas
- 3 autores portugueses
- 1 autor sérvio
- 1 autor de Andorra
- 1 autor sueco
- 1 autora neozelandesa


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Wrap up Book Bingo Leituras ao Sol

Esta maratona teve como "anfitriãs" a Isa do Blog Jardim de mil histórias, a Tita do blog O prazer das coisas e a Sara do blog O encanto das histórias. Decorreu de 21/6 a 22/9 e o objectivo seria ler livros que se enquadrassem nas categorias criadas de modo a formar linhas no cartão que as meninas criaram. Uma ideia que, na minha opinião, é bem engraçada e super original. Eu consegui fazer duas linhas uma na horizontal e outra na diagonal e o meu cartão ficou bem colorido.


Em baixo vou referir os livros lidos em cada categoria, o número de páginas e a pontuação que lhes atribui no Goodreads. Vou colocar também no wrap up os livros que planeei ler mas que, por um ou outro motivo, acabei por não conseguir ler.

1. Esquecido na estante.
Persuasão, Jane Austen

2. Capa que lembre o Verão.
Os cinco na ilha do tesouro, Enid Blyton


3. Local onde gostarias de passar férias. (EUA)
498 páginas
4 estrelas


4. Vencedor de prémio literário. (World Fantasy Award 2003) 

 
101 páginas
5 estrelas


5. Chick-Lit. (Batota com Lad-lit)
Turning 30, Mike Gayle

6. Passado num continente diferente. (Ásia)

254 páginas
4 estrelas


7. Autor estreia. 
20455543
317 páginas
3 estrelas


8. BD/GN/Manga.
15196
159 páginas
4 estrelas


9. Clássico português.

56 páginas
5 estrelas


10. Recomendado.
458 páginas
5 estrelas


11. Juvenil/YA.
Quando a neve cai, John Green e outros

12. Autor preferido.
Lição de tango
Sveva Casati Modignani

13. Emprestado.
350 páginas
4 estrelas


14. Género preferido
510 páginas
4,5 estrelas


15. Adaptado TV/cinema.
407 páginas
4 estrelas

16. Autor lusófono.
 39 páginas
5 estrelas

Balanço:
- Li 11 livros
- 3149 páginas lidas
- 6 autoras/5 autores
- 3 autoras americanas
- 2 autores portugueses
- 1 autor sérvio
- 1 autor de Andorra
- 1 autor sueco
- 1 autora neozelandesa


sábado, 23 de setembro de 2017

Opinião #12: Mensagem, Fernando Pessoa

Penso que ainda não tinha falado aqui no canal mas adoro listas de livros sejam elas de livros que todos devíamos ler na vida, livros a ler até aos 20 anos, até aos 30 anos, entre outras.

Tenho várias dessas listas guardadas no meu computador e este ano decidi dar-lhes alguma utilidade ou, pelo menos, passar da teoria à prática e tentar ler alguns dos livros que nelas vêm mencionados. No início do ano fiz uma escolha aleatória. Elegi 9 livros sendo que, até agora, apenas li 3 dos que seleccionei. O terceiro livro lido para este meu projecto pessoal foi o livro Mensagem do português Fernando Pessoa e é dele que venho aqui falar.



Editora: Versão e-reader
Ano publicação:1934
Nº páginas:  56 páginas
Pontuação atribuída: 5 estrelas no Goodreads



O único contacto que tinha tido com Fernando Pessoa havia sido nos idos tempos do secundário. Já lá vão uns bons anos. 
Posso dizer que tinha curiosidade em relação à sua obra e, com este meu projecto, surgiu uma óptima oportunidade de ler um dos seus livros mais admirados e divulgados. Nele constam poemas que arrisco dizer serem do conhecimento de todos nós.  Quem não conhece os versos: Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal! e Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Esta obra é divida em três partes: Brasão, Mar português e O Encoberto. Estas partes estão organizadas de forma a relatar os feitos dos heróis portugueses. A primeira parte narra as glórias portuguesas. Na segunda são apresentadas as navegações e conquistas marítimas e na última parte, fala-se no mito sebastianista. Esta última parte é como que uma esperança de que Portugal regresse às velhas glórias. E como esta última parte se poderia transpor lindamente para a nossa realidade. Super actual!

Confesso que não estou habituada a ler poesia mas, na minha opinião, a obra é fantástica. Acredito que, para lê-la e apreciá-la, talvez seja preciso uma outra maturidade não só enquanto pessoa mas também como leitor. Para apreciá-la melhor ainda penso que seria bom ter um outro tipo de conhecimento da história de Portugal o qual eu reconheço não ter. Enfim, é brilhante e, sem dúvida que Fernando Pessoa não pode deixar de ser considerado um génio.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Opinião #11: O pintor debaixo do lava-loiça, Afonso Cruz












Editora: Caminho
Ano publicação: 2011
Nº páginas:  176 páginas
Pontuação atribuída: 5 estrelas no Goodreads


Mais um livro de Afonso Cruz que amei. Até agora só li os livros infantis do autor e, mesmo assim, que escrita maravilhosa. Mal posso esperar para ler os livros para adultos sendo que alguns deles já moram cá em casa.
A escrita é deliciosa, poética e com o seu quê de sonhadora e de mente inquieta. Pelo menos, ao ler Afonso Cruz, sinto-me assim. 

Esta história é baseada num episódio que ocorreu com os avós do autor. Uma história familiar que foi passando de boca em boca e chega agora ao papel. Acho que isso torna o livro super pessoal e extremamente especial.
O livro narra a história de um pintor judeu que, no século XIX, tendo em conta toda a perseguição aos judeus, se vê obrigado a fugir para sobreviver. Surpreendentemente, é ajudado por algumas pessoas e acaba por ir parar debaixo de um lava-loiça o que não deixa de nos trazer várias metáforas sobre a importância da vida, da generosidade e da dimensão do ser humano. 

Um livro bonito de um autor que para mim, se tem revelado maravilhoso. Uma história que vou querer partilhar com outros. 


"O mundo inteiro puxa-nos para baixo, mas as mãos de quem gosta de nós atiram-nos para o alto. Sem se cansarem"

"O amor(...) é uma casa sem telhado, pois quando olhamos para cima vemos o céu."

sábado, 2 de setembro de 2017

Opinião #10: Bem me quer, mal me quer, Pearl S. Buck








Editora: Texto Editores
Ano publicação:1948 (1ª publicação)
Nº páginas:  254 páginas
Pontuação atribuída: 4 estrelas no Goodreads




A Elisa do Blog A miúda Geek tem estado a desenvolver o projecto Historiquices. Junho foi o mês dedicado a uma autora galardoada com o Prémio Nobel em 1938 e com o Pulitzer em 1932. 

Pearl S. Buck é uma americana, filha de missionários presbiterianos que aos 3 anos de idade vai viver com os pais para a China. Até aos 15 anos, estudou em Xangai tendo tido experiência de trabalho num abrigo para escravas e prostitutas. Viveu na China até meados da década de 20. Posteriormente, viveu no Japão e de lá, regressou aos EUA.

A China e a sua cultura marcam grandemente as obras desta autora e este livro não é excepção. Nele é contada a história de Peony, uma chinesa que, desde jovem, trabalha como criada na casa de uma família de judeus. Foi comprada como serva e tem um papel estranho. É mais do que uma criada mas menos do que família. Peony cresce e apaixona-se e é tendo esta permissa por base que a história de desenrola. Trata de tradições, aspectos históricos e emocionais. Também tem o seu quê de dramática.

Gostei da obra e da forma como está escrita embora tenha demorado imenso tempo para concluir o livro. Não sei explicar o como mas, compreende-se pela escrita, que Pearl S. Buck viveu algumas daquelas realidades. Transmite-nos as suas ideias de uma forma muito clara e realista. A mim deu-me também a conhecer algumas realidades que desconhecia completamente nomeadamente no que se refere à emigração de Judeus para a China, procurando fugir às grande provações a que foram sujeitos na Europa. É uma autora que conheci com este projecto e que pretendo voltar a ler.

Opinião #9: Cleo, Helen Brown






Editora: Caderno
Ano publicação: 2009
Nº páginas:  350 páginas
Pontuação atribuída: 4 estrelas no Goodreads



"O toque de uma pata pode fazer mais do que aspirina."






Tenho uma cadela que, aliás, está na foto. Uma cadela que amo e que faz parte da família. Nunca fui uma pessoa especialmente dada a cães ou a qualquer outro tipo de animais. Tenho inclusivamente alguns medos. No entanto, a minha cadela conquistou-me e mudou muitas das minhas opiniões e da minha maneira de estar quer em relação a cães quer a outros animais. Foi uma colega que tem gatos que me recomendou este livro e que acabou por me emprestá-lo. 

E que posso eu dizer após tê-lo lido? Adorei a história. Tocou-me completamente. É uma história verídica com a qual não nos podemos deixar de relacionar em um ou outro aspecto. É escrito por uma jornalista que em tempos escreveu crónicas e adorei a sua narrativa. Tem passagens lindas e emocionantes. E, em oposição, tem outros momentos mais leves e divertidos. 

É um livro sobre relações entre humanos e animais. Um livro que nos faz ver o quão perspicazes conseguem ser os animais. Muitas vezes mais do que os próprios humanos. De tal forma que conseguem tornar algumas das dores destes menos acentuadas, trazendo um pouco de cor às suas vidas. Foi o que aconteceu entre Helen e Cleo. Uma relação que, à partida, teria tudo para estar condenada, transformou-se numa bonita amizade. Uma amizade que acompanhou os altos e baixos da vida de Helen partilhando lágrimas e gargalhadas. É um livro simples e bonito que aconselho a toda a gente porque, muitas vezes, não somos nós humanos que salvamos os animais mas são eles que nos salvam a nós.


"Na sua maioria, os dias são quase todos tão idênticos que os esqucemos quase antes de o Sol acabar de se Pôr. Milhares de dias dissolvem-se uns nos outros, transformando-se em meses e anos. Deslizamos através do tempo à espera que cada dia seja tão previsível como o anterior. Embalados por rotinas que envolvem os mesmos cereais ao pequeno-almoço, deixar as crianças na escola e ver os mesmos rostos familiares, estamos de tal forma anestesiadas que acreditamos que as nossas vidas continuarão imutáveis para sempre."