sexta-feira, 12 de maio de 2017

Opinião #7: O rapaz e o pombo, Cristina Norton


Este ano tenho feito várias leituras dentro da temática do holocausto. Confesso que era um tema sobre o qual pouco ou nada lia mas, ao começar a ver vídeos de diversas meninas do Booktube que lêem bastante sobre o mesmo, nomeadamente a Dora do canal Books and Movies, a minha curiosidade começou a crescer conjuntamente com a vontade de saber mais sobre as atrocidades cometidas.





 





Editora: Oficina do livro
Ano publicação: 2016
Nº páginas:  268 páginas
Pontuação atribuída: 4 estrelas no Goodreads






O rapaz e o pombo foi lançado em Outubro do ano passado sendo um livro de ficção, baseado em factos verídicos. A sua autora, Cristina Norton, nasceu na Argentina em 1948 mas reside em Portugal há mais de 40 anos. Tem vários títulos publicados.

O livro tem uma escrita simples e é de fácil leitura sendo, a maior parte do tempo, narrado pela voz de um menino judeu que conta a história pela qual a sua família e as pessoas com as quais se cruza passaram. A sua família tinha uma vida desafogada, por assim dizer. O seu pai era um médico respeitado e a sua mãe era enfermeira. Não obstante as suas profissões e os feitos que realizaram ao longo da sua vida, eram judeus e, no regime hitleriano, passaram a ser tratados como tal. 


O livro tem uma escrita simples e é de fácil leitura sendo, a maior parte do tempo, narrado pela voz de um menino judeu que conta a história pela qual a sua família e as pessoas com as quais se cruza passaram. A narrativa decorre de 1930 a 1058 e passa por diversos países e diversos continentes. Cruza várias personagens e várias histórias. A meu ver, demasiadas, porque uma das coisas que não gostei, tem a ver com o facto de ter sentido uma falta de ligação entre os diversos capítulos e as diferentes personagens.






"Não o podiam misturar com os malfeitores, os gatunos de faca no cinto, os proxenetas, os bêbados e até os drogados, não porque ele fosse um senhor educado, mas porque na nova escala social estava muito abaixo daquela escumalha. Tinha deixado de ser uma pessoa, era uma coisa abjecta, uma peça, algo sem valor, nem humano nem material, um objecto sem alma."



A narrativa decorre entre 1930 a 1058 e passa por diversos países e diversos continentes. Cruza várias personagens e várias histórias. A meu ver, demasiadas. Uma das coisas que não gostei, tem a ver com o facto de ter sentido uma falta de ligação entre os diversos capítulos e as diferentes personagens.

Não sendo eu uma pessoa que já tenha lido muito sobre o tema, senti que a autora quis abordar vários factos ocorridos, fazendo-o de forma muito subtil e, por vezes, pouco estruturada. Fala por exemplo, do Dr. Mengele e dos seus experimentos. Efectivamente, este é um assunto sobre o qual gostaria de saber mais mas, não foi com este livro que essa minha vontade ficou satisfeita.

Não obstante as coisas que não apreciei, não deixa de ser um bom livro. Recorda-nos factos da nossa história que continua a ser difícil de acreditar que ocorreram sendo também muito difíceis de narrar. Factos que nos avivam a memória relativamente à má índole e crueldade que o ser humano pode ter para com os da sua própria espécie. Fala-nos de discriminação, crueldade e tortura. De factos que não podem ser abordados de ânimo leve. Fala de deixar de ter a nossa própria identidade para, devido às nossas crenças religiosas, sermos marcados e tratados como objectos.
 

"Para completar aquilo a que a minha irmã chamava o nosso «anonimato», deixámos de ter um nome e um apelido e passámos a ser chamados pelo número que eles gravaram no antebraço de todos."


"(...) o que magoou foi deixar de ouvir o meu nome e ter de responder às várias chamadas que faziam por dia, para verificar se ainda estávamos lá, repetindo o meu número como se tivesse deixado de ser um rapaz e fosse mais um objecto nas prateleiras de um armazém."

quinta-feira, 11 de maio de 2017

TAG | 7 Pecados literários

Vi esta TAG no canal da Cristina, Books and Beers . Resolvi responder após ter sido desafiada pela Cristina a fazê-lo. Aqui ficam as minhas respostas à TAG | 7 Pecados literários.

1 - Ira
Um autor com quem tens uma relação de amor/ódio?
Nora Roberts. 
Já li vários títulos da autora. A grande maioria segue os mesmos moldes. Romances em que uma rapariga triste e amargurada encontra o grande amor. Existem, contudo, outros livros que me surpreenderam. São leituras leves e rápidas que me fazem passar um bom bocado e das quais não deixo de gostar.

2 - Ganância
O livro mais caro da tua estante.
As duas edições ilustradas do Harry Potter e os livros da Trilogia O século de Ken Follett.


3 - Gula
O livro que eu devorei.
Qualquer um da Agatha Christie. Leio-os num ápice.


4 - Preguiça
Um livro que estou a adiar a leitura. Que estou com preguiça para começar.
O meu irmão de Afonso Reis Cabral. Um livro que já comecei embora nem a meio tenha chegado. Acabei por perder o interesse na leitura. Quero recomeçá-lo embora nunca se tenha proporcionado.

5 - Luxúria
Um livro que fala sobre sexo.
A trilogia As cinzenta sombras de Grey. Foi dos poucos livros que li que abordava o assunto e até gostei. Claro é que não é nenhuma obra prima da literatura mas até me deu algum gozo lê-lo.

6 - Inveja
Um livro que gostarias muito de receber.
Não leio em inglês mas acho as edições da Barbes e Noble's maravilhosas.


7 - Orgulho
Que livro tens mais orgulho de ter lido?
Talvez O memorial do convento porque foi um livro que, na altura, foi-me muito penoso concluir. 



domingo, 7 de maio de 2017

Wrap up: Maratona Reading About Health

Mais uma iniciativa da Sara Cristina e da Alexandra que decorreu de 5/4 a 5/5. Desta feita, as leituras tinham  como tema principal a saúde. Seguem-se as categorias da maratona e os livros que li.






1. Ler um livro com uma personagem que tenha alguma deficiência física/mental.
Tinha planeado ler o livro O meu irmão, Afonso Reis Cabral. É um livro que tenho há imenso tempo aqui por casa e que, inclusive já havia começado a ler anteriormente. Contudo, acabei por me desinteressar e parar. Achei que esta maratona era uma boa oportunidade para lê-lo mas, sinceramente, acabou por não me apetecer recomeçar esta leitura.





 



2. Lê um livro sobre um estilo de vida saudável.
Mais uma vez, resolvi recomeçar um livro que me emprestaram há imenso tempo (shame on me!) e que, entretanto, parei de ler. O livro é Trate a vida por tu de Daniel Sá Nogueira. Resolvi introduzi-lo nesta categoria pelo facto de ser um livro de auto-ajuda, positivismo, algo do género. Acabei por não terminar a leitura. Li cerca de 1/3 do livro.

 

 
 3. Lê um livro sobre alguém que tenha feito um avanço considerável na investigação na área da saúde.
Acabei por ler este pequeno livro infanto-juvenil sobre uma personalidade deveras conhecida mas, sobre a qual eu não sabia muita coisa. Pasteur, contra tudo e todos, conseguiu avançar com as suas teorias e, permitiu alguns avanços em termos da saúde. Pareceu-me uma pessoa extremamente interessante pelo que, seguramente que quero ler mais sobre ele e as suas descobertas.



 
4. Lê um livro escrito por alguém da área da saúde.
Adquiri este livro pelo facto de visar aspectos da minha profissão, a enfermagem propondo-se a fazê-lo de uma forma bastante humorada.Acabei por lhe atribuir 3,5 estrelas no Goodreads. 
Sim, é um livro bem-humorado e, que descreve certas situações com as quais me identifiquei imenso. No entanto, por vezes fiquei sem compreender algumas das ideias do autor o que me levou a não compreender o sentido de alguns textos. Acaba por ser uma leitura engraçada para quem esta dentro do assunto mas, para outras pessoas, não sei até que ponto é que determinadas descrições, farão sentido.

Para além deste, durante o período de realização da maratona, li um outro livro que se pode enquadrar nesta última categoria e que já tem uma pequena opinião no blog. O livro é Nem contigo nem sem ti, escrito pelo psiquiatra português, José Gameiro.



Confesso que, durante este mês, me perdi um pouco nas leituras. Do pouco que li, não consegui encaixar muita coisa nas categorias da maratona o que se consegue ver pelos resultados que tive. Apenas completei 2 das 4 categorias. Sinto que a minha participação foi um completo falhanço. No entanto, não deixo de achar as maratonas destas meninas muito originais, super interessantes e com temas bem actuais e pertinentes e, sem dúvida que vou tentar participar numa próxima edição. 

TAG | Fogo rápido


Adoro ver vídeos de TAGs. Vi respostas à TAG | Fogo rápido em vários canais e, após ter visto o vídeo da Raquel do So happy with books, resolvi fazer um post com as minhas respostas.

Esta é a minha primeira TAG =) 







E-Book ou livro físico?
Livro físico. 
Só há bem pouco tempo é que comecei a ler e-books. Até agora li 3/4 no máximo e, ao contrário do que eu esperava, até nem desgostei da experiência. Contudo, manusear um livro e sentir aquele cheirinho a papel, continua a ser para mim, um enorme prazer.

Capa comum ou capa dura?
Capa dura.
A maior parte dos meus livros são em paperback mas continuo a achar os hardcover bem mais apelativos. O  problema é que leio unicamente em português e, praticamente, não existem hardcovers e, os que existem, são super caros.

Livraria online ou livraria física?
Livraria online.
A livraria física tem outra magia. Adoro estar rodeada por imensos livros e sentir que me perco completamente no meio de tanta escolha. Por outro lado, a livraria online, normalmente, tem preços mais convidativos.

Série ou Trilogia?
Trilogia.
Não sou muito de ler nem umas nem outras. A maior parte dos livros que leio são livros únicos mas acho que não ia gostar muito de estar sempre a ler imensos volumes até chegar à conclusão da história.

Heróis ou Vilões?
Vilões.
Normalmente, são personagens bem mais interessantes enquanto, os heróis, maioritariamente são os típicos pão sem sal.

Um livro que recomenda para todo mundo ler?
Os Maias de Eça de Queiróz.
Foi um livro que li no secundário, para a disciplina de Português. Pouco depois, voltei a lê-lo e a adorá-lo. Sem dúvida que me marcou imenso e que pretendo reler, o que é raro eu fazer.

Um livro subestimado?
Harry Potter. 
Tipicamente, os livros desta saga tem como público-alvo os jovens. Acho, contudo, que toda a gente os devia ler. Tive a sorte de ser adolescente quando os livros foram lançados pelo que, eu própria, fui crescendo à medida que isso ia acontecendo a Harry e seus amigos o que contribuiu para eu gostar tanto das obras.

O último livro que terminou de ler?
Enfermeira Saturada de Saturnina Gallardo.

O último livro que comprou?
Segredos obscuros, Michael Hjorth & Hans Rosenfeldt 

Coisa mais estranha que usou de marcador de página?
Telemóvel? Canetas? Acho que nunca usei nada muito esquisito.

Livros usados: sim ou não?
Sim.
Só ultimamente é que descobri este mundo dos livros já usados e tenho adorado. Por isso, usados, sem dúvida.

Três géneros literários favoritos?
Policial, Thriller, Contemporâneo.

Comprar ou Emprestar?
Comprar.
Fico sempre um pouco reticente no que respeita a emprestar livros. Tenho imenso cuidado ao manusear os meus livros. Estimo-os muito pelo que iria detestar emprestar um livro e vê-lo danificando quando regressasse às minhas mãos. Já para não falar nas pessoas que se esquecem que o livro não é delas e que nunca o chegam a devolver. 

Personagens ou Trama?
Trama.
Um livro sem uma boa trama até pode ter umas personagens extremamente bem construídas mas, acaba por não me cativar do mesmo jeito.

Livros longos ou curtos?
Gosto de ambos desde que, a história seja boa e a leitura prazerosa.

Capítulos longos ou curtos?
Curtos. 
Fazem-me sempre ter curiosidade de ler "só mais um" para saber o que vai acontecer a seguir. Inclusivamente tenho o hábito de, ao terminar um capítulo, contar as páginas do próximo. 

Os primeiros três livros que vierem à sua cabeça...
O grande amor da minha vida, Paullina Simons
O executor, Lars Kepler
A queda dos gigantes, Ken Follett

Livros para rir ou livros para chorar?
Livros para rir.
Unicamente pelo facto de ser mais fácil de me rir com um livro do que chorar. Embora, obviamente, seja fantástico ler um livro que nos toque, que nos emocione.

Nosso Mundo ou Mundos Fictícios?
Nosso mundo.
Fantasia foi um género que não li muito embora até tenha gostado do que li. 

Audiobooks: Sim ou Não?
Não me posso pronunciar pelo facto de nunca ter passado pela experiência de ouvir um audiobook.  Não posso negar que as reservas também são bastantes. 

Você julga um livro pela capa?
Sim!!!
Já dizia o "povo" que, os olhos também comem...

Adaptação de livro para filme ou de livro para série de TV?
De livro para filme.
Porque é mais fácil de ver tudo. Uma série torna-se mais complicado. É mais demorado.

Um filme ou série que gostou mais do que o livro?
Não tenho uma cultura assim tão grande a este nível que me permita responder. Para falar a verdade, assim de repente, nem sequer me lembro de nenhum livro que tenha sido adaptado e que eu tenha visto a adaptação.

Livros em série ou livros únicos?
Livros únicos até porque é o que leio mais.



domingo, 30 de abril de 2017

Opinião #6: Nem contigo nem sem ti, José Gameiro





O autor deste pequeno livro é um conhecido psiquiatria da nossa praça que foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. Isto foram pontos que suscitaram o meu interesse em ler este livro que me foi vivamente recomendado pela sua "dona", digamos assim.

Nele fala-se de relações. De amor. De casais. De filhos. De separações. 

Temas conhecidos e que nos fazem reflectir a todos. Que, por vezes, nos fazem ganhar "borboletas na barriga" e que, outras, nos fazem ficar extremamente irritados. 

São abordados de forma simples e descomplicada. De um modo que, na minha opinião, aproxima o autor do seu leitor o que faz com que este último, se identifique com muito do que lê. Pelo menos comigo, isso aconteceu o que faz com que atribua 5 estrelas a este pequeno mas sumarento livro. 


sábado, 29 de abril de 2017

World Book Tour Março: Albânia

Continuando com a volta ao mundo em leituras, iniciativa do grupo do Facebook World Book Tour, o mês de Março seria para ler autores originários da Albânia. Apenas terminei o livro escolhido esta semana mas gostei bastante e fiquei extremamente surpreendida e impressionada com alguns dos usos e costumes albaneses que são relatados. Efectivamente, são estas descobertas relativas as diferenças culturais que fazem com que me esteja a dar imenso gozo participar neste projecto.

Em Maio, segue-se Andorra. Já li todos os países que estão para trás e estou ansiosa por descobrir mais sobre Andorra, um pequeno país sobre o qual não sei praticamente nada para além do facto de se situar no continente europeu. Tinha este mesmo desconhecimento face à Albânia pelo que resolvi fazer uma pequena pesquisa para, posteriormente, prosseguir com a leitura. Aliás, tenho feito o mesmo com todos os países. 




A Albânia é um pequeno país situado no sudeste da Europa que pertencia ao antigo império Otomano. A história deste país está marcada por inúmeros conflitos relacionados com questões políticas que marcaram grandemente os albaneses. A sua capital é Tirana.

O país é extremamente montanhoso pelo que, os naturais desse país se denominam a si próprios de skipetars, ou seja, "moradores de terras altas". É dos países menos desenvolvidos e mais pobres da Europa mas, ao longo dos últimos anos, têm-se assistido a um aumento do número de turistas estrangeiros os quais buscam, sobretudo, as belas praias albanesas, muitas vezes designadas por Riviera Albanesa o que acaba por ser favorável para a economia.

O Kanun é um código de leis consuetudinárias que o povo trás desde a era do Bronze e que, após o colapso do regime comunista, voltou a vigorar em áreas mais remotas do território. Neste sentido, os homicídios são um problema crescente, especialmente as "vinganças de sangue". Dados relativos ao ano de 2014, apontam para que cerca de 3 mil famílias estivessem envolvidas em vinganças de sangue sendo que, desde o fim do comunismo, já se contam cerca de 10 mil mortos devido a esta problemática.

Posto isto, o livro que escolhi não podia ser mais representativo do país e das suas questões uma vez que aborda a temática das vinganças de sangue.




Editora:Publicações Dom Quixote
Ano publicação: 2000
Nº páginas:  186 páginas
Pontuação atribuída: 4 estrelas no Goodreads





Abril despedaçado é um livro que trouxe comigo da biblioteca e que, desde logo, me despertou a curiosidade pelo facto de se focar em práticas culturais patentes na Albânia e que para mim eram totalmente desconhecidas. 

Sob três pontos de vista, o de um rapaz que reside no planalto, o de um casal em lua-de-mel e o de um intendente do sangue, o autor aborda a problemática consuetudinária mais concretamente, o direito de resgatar o sangue. Isto mais não é do que, um direito que subsiste em dadas famílias, geração após geração, e que faz com que umas tenham direito de matar uma pessoa da outra família e vice-versa. Conjuntamente a isso é acrescido o pagamento de um imposto a um príncipe do planalto albânes. Esse dinheiro e essas cobranças são geridas pelo intendente do sangue. 


"Pouco faltou para desatar a rir. Não podia viver antes de ter matado! Só depois, quando estivesse por seu turno ameaçado de morte, é que, para ele, a vida recomeçaria."


Ora o rapaz que referi e cujo nome é Gjorg, vê-se a braços com a missão de matar um membro de uma família que havia matado o seu irmão e, ao longo da narrativa, somos confrontados com os seus sentimentos, alguns deles contraditórios, relativamente ao matar e, posteriormente, ao facto de ter ele próprio uma sentença de morte.


"Um ano e meio depois do assassínio do irmão, a mãe tinha acabado finalmente por lavar a camisa que o infeliz usara naquele dia. Durante um ano e meio, ensanguentada, ela permanecera pendurada, como exigia o Kanun, no andar de cima da torre, à espera do resgate do sangue. Quando as manchas de sangue começavam a amarelecer, dizia-se, era o sinal absoluto de que o morto começava a atormentar-se por ainda não ter sido vingado."

Era esperado que ele vingasse o irmão, que ele matasse, mas isso não deixa de lhe criar vários constrangimentos e vários questionamentos relativamente aos usos e costumes da sua gente. Isto vai sendo dado a conhecer ao leitor, durante a viagem que Gjorg faz com o intuito de pagar o imposto de sangue, após ter morto um homem. Durante essa jornada, que parece não ter fim, ele cruza-se com vários outros habitantes do planalto que vivem intensamente as suas práticas como sejam as relativas ao noivado/matrimónio.

"Observando os baús coloridos que continham sem dúvida o enxoval da noiva, perguntou a si próprio em que esconderijo, caixa, algibeira, colete bordado, os pais da noiva tinham posto o «cartucho do enxoval», com o qual, segundo o Código, o marido tinha o direito de matar a jovem esposa se ela tentasse alguma vez abandoná-lo."

São relatos como o acima citado que impressionam e que me fizeram reflectir e, de certo modo, revoltar. Também não deixa de ser completamente aberrante o facto de um jovem casal residente em Tirana ter escolhido o planalto para passar a sua lua-de-mel. Tal foi determinado com vista ao marido, escritor de profissão, ter uma noção in loco das práticas vigentes. A jovem esposa resigna-se com esse facto mas, ao longo da história, vai-nos sendo apresentada a sua revolta interior relativamente a factos que para o marido, não deixam de ser, morbidamente impressionantes e grandiosos. 

A última perspectiva, a do intendente de sangue, dá-nos a conhecer as preocupações económicas do facto de, a principal fonte de rendimento do príncipe, isto é, o imposto sobre o resgate do sangue, estar em decréscimo. Sendo o intendente responsabilizado pela diminuição no número de mortes e, consequentemente, pelo decréscimo do pagamento do imposto, aquele resolve sair do palácio em busca de respostas.  

Este é um livro curioso que me impressionou dado os factos terríveis que relata mas, do qual, ao mesmo tempo, consegui gostar tanto. Um livro que mexe com o nosso interior. Uma escrita com muita qualidade não fosse o autor sido várias vezes nomeado para prémio Nobel e ter já vencido prémios como o Man Booker Prize (2005). Actualmente, vive em França país no qual procurou exílio em 1990 após ter sido intimidado pelo governo albanês. Curioso é o facto de ser dos poucos escritores desta nacionalidade  autorizado pelo antigo regime comunista. 

Foi adaptado para o cinema por Walter Salles. Deixo o trailer abaixo sendo certo que vou procurar vê-lo em breve.


sábado, 22 de abril de 2017

Pipocas da Pingui #4: A bela e o monstro (VO)



Quando era criança, A bela e o monstro era dos meus filmes preferidos. Vi-o vezes sem conta. Já sabia as cenas praticamente de cor. Adorava as personagens. Identificava-me com a Bela por ser alguém que adorava ler, que andava sempre meio distraída e no seu "mundinho". Não conseguia deixar de achar o monstro fofo. Recordava com um sorriso nos lábios a cena em que a Bela e o monstro atiram bolas de neve um ao outro. Achava super romântico. E o que dizer dos objectos falantes? A pequena chávena então... Que doçura!

Quando soube desta nova versão da Disney fiquei com imensa curiosidade em ver e, após isso acontecer, confesso que as minhas expectativas não saíram defraudadas, muito pelo contrário. Adorei o filme. Foi muito bom recordar as músicas e ver a forma com as personagens ganham uma nova vida. Na minha opinião, a Emma Watson está fantástica enquanto Bela e, apesar de todas as controvérsias, acho que o Le Fou está o máximo.

Os cenários estão super bem cuidados bem como o guarda-roupa. Os efeitos criados para dar vida aos objectos também estão bastante bem concebidos. Claro que, saí com a lagrimita ao canto do olho e, nos dias seguintes, não deixei de dar por mim a trautear as músicas do filme. 

Recomendo vivamente a toda a gente. Como se costuma dizer, a miúdos e graúdos =)

sábado, 8 de abril de 2017

World Book Tour Abril: Alemanha


Trouxe este livro da biblioteca para poder participar no projecto do grupo do facebook World Book Touro qual tenho vindo a divulgar aqui pelo blog. No presente mês de Abril deveriam ser lidos autores de nacionalidade alemã. Quando vi a lista de autores sugeridos por algumas das dinamizadoras do projecto, dei de caras com Patrick Suskind. Autor do tão afamado livro, O perfume. De Suskind, apenas tinha lido essa mesma obra e, ao contrário de muitas outras pessoas, não me tinha tocado especialmente. 

Contudo, a experiência que tive com este pequeno livro foi completamente diferente. Tanto é que me é impossível atribuir-lhe qualquer outra pontuação que não as 5 estrelas.Gostei mesmo bastante. 

Basicamente, a narrativa gira em torno de uma única personagem, das suas rotinas e do conforto que estas lhe proporcionam. Isto até ao ponto da história em que ele se depara com uma pomba e questiona várias coisas na sua vida, pensa fazer mudanças e, de algum modo, sobressaem todos os traços extremamente obsessivos que o caracterizam. Tudo isto acaba por ocorrer num único dia embora dê para compreender, através da escrita do autor, quão diferentes são os dias habituais e qual o transtorno que as mudanças que o contacto com a pomba causa nas rotinas diárias do nosso personagem. Neste ponto, é possível depreender que unicamente aquelas rotinas, pautadas por comportamentos obsessivos, são o que lhe trás tranquilidade isto porque, na minha opinião, nem sequer se poderá falar em felicidade uma vez que a personagem é uma pessoa bastante só. Uma pessoa que, para além disso, não tem qualquer tipo de relação de afectividade e que passa os dias a desempenhar um determinado número de actividades rotineiras como, o ir para o trabalho aquela hora em ponto, o levar a roupa à lavandaria sempre dentro da mesma mala e sempre no mesmo dia. Qualquer obstáculo a este trajecto digamos assim faz com que ele acredite que aquele já não será um bom dia.  

Li este pequeno livro num ápice e, sem dúvida que foi uma escrita que me prendeu completamente e me levou a querer ler mais do autor e, quiçá, reler O perfume.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Goodreads: Clube dos clássicos vivos - O crime do Padre Amaro, Eça de Queiróz

O grupo do Goodreads intitulado clube dos clássicos vivos visa fazer leituras bimensais de clássicos da literatura e, posteriormente, permitir uma troca de impressões entre os vários participantes da leitura. Este grupo está a ser dinamizado pela Cláudia do Canal A mulher que ama livros e pela Elisa do blog A miúda Geek.
O livro escolhido para Janeiro/Fevereiro foi O crime do Padre Amaro do autor português, Eça de Queiróz, o qual me propus ler. Contudo, apenas comecei e terminei o livro durante o mês de Março.





Eça de Queiróz é dos meus autores portugueses favoritos. Tenho a maioria das obras do autor nestas edições pequeninas, em capa dura que são simplesmente amorosas. Já li vários livros dele mas, nunca tinha lido o livro em questão pelo que achei que esta seria uma boa oportunidade para tal. Apenas havia visto há vários anos a adaptação cinematográfica com a Soraia Chaves e o Jorge Corrula. Grosso modo, sabia a trama principal do livro embora, certos pormenores, me fossem desconhecidos.
De qualquer forma, gostei bastante do livro daí ter-lhe atribuído 4 estrelas no Goodreads. É mais uma obra pautada pela enorme sagacidade e perspicácia do autor.  Marcada também pelo humor, pela ironia e, acima de tudo pela crítica social neste caso em particular, pela crítica à igreja católica e seus mais fervorosos seguidores. A crítica incide sobre os comportamentos menos ortodoxos dos padres e na extrema dedicação das chamadas beatas que, muitas vezes, chegam elas mesmas, a partilhar o leito com os párocos. Estes, manipulam-nas, a seu bel-prazer e sempre tendo como argumento ser essa a vontade de Deus, Nosso Senhor. 

Na minha opinião, este livro não é tanto feito pelas descrições exaustivas que caracterizam outras obras do autor. É todo ele virado para a igreja e para as vidas dos seus representantes, digamos assim. Confesso que existiram partes que achei algo repetitivas pelo que demorei algum tempo a concluir esta leitura mas, sem dúvida que é uma grande obra, em muitas coisas, bem à frente do seu tempo e bastante actual. Acabei por ter uns odiozinhos em relação a algumas personagens nomeadamente, ao próprio do Padre Amaro que, basicamente, só pensava no seu umbigo e também à Amelizinha que, queria ser tão pura, tão pura, que acabou por cair em desgraça.

terça-feira, 28 de março de 2017

Documentário Amanda Knox

Já tinha lido qualquer coisas sobre este documentário aqui na blogosfera mas ainda nunca tinha surgido oportunidade de vê-lo. Muito sinceramente, antes disso, desconhecia a ocorrência deste homicídio bem como de todo o mediatismo em que foi envolto.




Amanda Knox é um documentário original Netflix  no qual são revistos alguns aspectos relacionados com o crime ocorrido em Perugia. Foi nesta localidade italiana que, em Novembro de 2007, foi assassinada a britânica Meredith Kercher. O julgamento deste caso, contando com os recursos interpostos, decorreu até 2015, altura em que, dois dos principais indiciados, Amanda Konx e o namorado Raffaele Sollecito, foram declarados inocentes. 
No documentário são apresentados os factos que levaram a suspeitas e posterior condenação de Amanda e Raffaele os quais estiveram presos durante cerca de 4 anos. São também apresentadas declarações de ambos face a todo o processo mediático sendo  também dados a conhecer os pontos de vista de um jornalista e de um dos principais investigadores do crime. 

Gostei da forma como o documentário está feito baseando-se, não só, nas declarações efectuadas pelas pessoas anteriormente referidas como também sendo dadas a conhecer imagens de arquivo relativas ao próprio caso.  Prendeu-me mas, francamente, não fiquei convencida da inocência quer de Amanda quer de Raffaele. Acho que ficaram muitas pontas soltas na investigação, muitos factos por explicar sobretudo no que respeita às várias mudanças de testemunho que estes indivíduos levaram a cabo. De qualquer forma, muito bem feito e extremamente interessante.